26 de fevereiro de 2010

Fundos de Investimento Socialmente Responsáveis - SRI

Um artigo, que pode ser encontrado aqui, publicado por Idália Antunes Cangussu Rezende analisa a rentabilidade de Fundos de Investimentos Socialmente Responsáveis, os quais selecionam empresas por meio de critérios sociais, ambientais e de governança corporativa. O estudo testa a performance (índice Sharpe) deste tipo de fundo de investimento através de uma metodologia que utiliza testes estatísticos como medida de performance para estes fundos de investimentos também conhecidos como SRI's (Socially Responsible Investiment).

Há uma percepção atualmente de que o alinhamento das empresas de acordo com uma perspectiva de visão focada em sustentabilidade e ecodesempenho seja diretamente proporcional à redução de custos e geração de mais recursos para a própria empresa e seus acionistas, entretanto as conclusões empíricas sobre a verocidade desta percepção não eram muito claras e motivaram a realização do estudo.

Resumindo, o artigo mostrou que os fundos SRI possuem rentabilidade semelhante aos fundos não SRI, ou seja, não foram constatadas evidências de que a competitividade econômica destas empresas que investem na sustentabilidade seja superior à competitividade de empresas que não praticam ações sustentáveis. Segundo o artigo, o conceito de sustentabilidade empresarial, que considera o crescimento econômico, a equidade social e o equilíbrio ecológico não resulta em vantagem competitiva ou benefício financeiro para as empresas, nem o contrário. É indiferente.

Entretanto, a crise de 2008/2009 e o consequente corte no staff das empresas se limitou a áreas que não estão relacionadas a funções ligadas à atividade ambiental. Nem replanejamento e remanejamento de recursos destinados a obras sócio-ambientais foram alteradas durante a crise de 2008, segundo a Diretora Setorial de Responsabilidade e Sustentabilidade da Febraban e Superintendente de Sustentabilidade e Comunicação Interna e Institucional do banco Itaú, Sonia Favaretto: "É claro que a reação não será uniforme, como em qualquer setor. O que podemos dizer é que vai depender do profissional à frente da área de sustentabilidade e do próprio banco. Se a prática da sustentabilidade ainda está numa agenda embrionária na instituição, é possível que haja um replanejamento. O que pra mim é uma visão míope, já que a sustentabilidade pode até alavancar os negócios".

O próprio vice-presidente do Itaú, Antônio Matias afirmou que este investimento poderia até aumentar: “É importante que nesse contexto o movimento da sustentabilidade seja visto como parte da solução desta crise, dando consistência às soluções apresentadas. É o momento para que a sustentabilidade seja vista como uma questão essencial para a perenidade dos negócios.”

25 de fevereiro de 2010

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24 de fevereiro de 2010

Bicicleta pode substituir o Automóvel


O Tejo from Abilio Vieira on Vimeo.

Este poético vídeo de Abílio Ferreira sobre uma belíssima ciclovia em Portugal à beira do rio Tejo tem rolado pela Internet e me inspirou a escrever sobre a viabilidade da substituição do automóvel pela bicicleta. Num cenário utópico, gostaria de imaginar um futuro com as marginais despoluídas e uma bela ciclovia como esta beirando-as. O ideal seria que a cidade de São Paulo possuísse um sistema 100% integrado de ciclovias nas principais vias, onde andar de bicicleta em faixas de rolamento comuns representa um perigo para os ciclistas. Mas infelizmente a cidade em sua região central é projetada apenas para circulação de pedestres e nas regiões adjacentes apenas para o uso do automóvel. Não há espaço para as bicicletas, que são o meio de transporte mais sustentável e ainda poderia proporcionar um ganho em qualidade de vida pelo exercício desprendido pelas pessoas que a utilizassem.


"É um desperdício queimar combustível para impulsionar um veículo que pesa, em média, duas toneladas, e trafega, na maior parte das vezes, com um único passageiro", segundo o professor Paulo Hilário Nascimento Saldiva, da Faculdade de Medicina da USP. O fato é que hoje na cidade de São Paulo, a frota de carros está tão grande que a velocidade média do automóvel, que antes era de 30km/h, hoje não chega nem a 10km/h dependendo do trecho percorrido. Uma bicicleta em velocidade baixa, perfeitamente praticável por qualquer ciclista, chegaria a pelo menos 15km/h em terreno plano. Num esforço um pouco maior, 30km/h são facilmente desenvolvidos na mesma situação. Resumindo, a bicicleta em São Paulo representa um meio de transporte mais eficaz que o automóvel no que tange a mobilidade e a autonomia.

Todos sabem que o custo do automóvel é incomparavelmente maior que o da bicicleta. De acordo com um trabalho feito por estudantes da Unicamp, o custo de um automóvel chega a ser 500% maior que o da bicicleta para um percurso urbano pouco menor que 10km, uma distância perfeitamente praticável para qualquer pessoa mesmo sendo sedentária. Sem contar o ganho em qualidade do ar e de vida. Dispensar a compra de um automóvel, pelo péssimo investimento que este representa, ou até mesmo economizar no gasto de combustível durante a semana representaria um enorme salto positivo na economia doméstica para muitos que hoje utilizam o carro, além do aumento na qualidade do ar e de vida já citados aqui.

Com o problema da segurança resolvido com a construção de ciclovias, o único porém que permanece é a falta de locais para estacionar essas bicicletas. Um serviço de locação de bicicleta poderia ser adotado em várias regiões de São Paulo a fim de solucionar este problema. Há um projeto em andamento de uma ciclovia beirando a marginal Pinheiros cujas informações podem ser encontradas aqui. O investimento neste meio de transporte será um grande passo na busca pela sustentabilidade da cidade de São Paulo.

20 de fevereiro de 2010

Fundos de Investimentos Verdes

A edição nº 140 deste mês da revista Você S/A divulgou alguns dados sobre fundos de investimentos "verdes", que segundo a publicação, podem ser de dois tipos: aqueles que incentivam projetos sustentáveis e os que investem no mercado de crédito de carbono. O primeiro tipo se trata de fundos para quem quer estimular empresas que tenham boas práticas de sustentabilidade. O destaque vai para o Fundo Ações Índice de Sustentabilidade Empresarial, lançado pelo Banco do Brasil em 2005 e cuja carteira é formada por ações de empresas que compõem o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), da BM&FBovespa. A rentabilidade do fundo em questão foi de 69% entre janeiro e dezembro de 2009, entretanto outros fundos que destinam parte da taxa de administração para projetos ambientais renderam menos, com rentabilidade semelhantes à da poupança e de outros investimentos como o CDB.

O segundo tipo de fundo de investimento "verde" é o que investe no mercado de crédito de carbono. Este é mais recente e tem como pioneiro no Brasil o Itaú Índice de Carbono Estratégia Protegida, o qual é associado ao índice de carbono Barclays Capital Global Carbon Índex Excess Return Euro e rendeu 0,27% entre setembro de 2009, mês de sua criação, a dezembro do mesmo ano. Mais expressivo foi o rendimento de 9,08% do Fundo Floresta Real do Grupo Santander, que investe em ativos de renda fixa e visa também neutralizar emissões de carbono do Grupo Santander por meio do reflorestamento, embora ainda precise da aprovação das Nações Unidas para recebimento dos créditos de carbono referentes à inclusão deste mecanismo como Mecanismo de Desenvolvimento Limpo.

Para recapitular, os créditos de carbono surgiram com o Protocolo de Quioto, o qual foi um acordo internacional assinado em 1997 e estipulou metas de redução dos gases geradores de efeito estufa (GEE's), como o gás carbônico e o metano, até 2012, em relação aos níveis de emissão registrados em 1990. Países mais poluidores, classificados como pertencentes ao Anexo I, se comprometeram a baixar suas emissões dentro do prazo estipulado. Entre eles estão Japão e União Européia.

A atuação dessas nações no nível de emissões se dá por uma legislação restritiva às indústrias, forçando-as a investir na redução da emissão dos GEE's através de certificados redução de emissão (CRE's), também conhecidos como créditos de carbono, que funcionam na prática como cotas para poluição. Por exemplo: uma empresa que tem como meta uma redução em 10% de suas emissões em um ano, receberá no começo do ano vigente uma cota de créditos de carbono referente a 90% de sua emissão total com referência na capacidade máxima de sua produção, sendo que esta deverá ao final do ano vigente apresentar créditos de carbono suficientes para cobrir todas as suas emissões. Caso isso não aconteça, a empresa é punida através de multa ou cessamento de suas atividades. 

Fica a cargo da empresa deidir se investirá em novas tecnologias e sistemas de gestão a fim de reduzir suas emissões ou então negociar a compra de créditos de carbono de outras empresas que possuírem créditos não utilizados. Uma terceira opção é gerar créditos de carbono financiando Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL's) em países em desenvolvimento, pertencentes ao Anexo II. Os MDL's geralmente são tecnologias alternativas capazes de diminuir a emissão de indústrias em relação a outras tecnologias já existentes, entretanto isso precisa ser comprovado pelas Nações Unidas para que oficialmente sejam emitidos os créditos de carbono.

Os bancos, pela força que representam na economia, podem se tornar extremamente atuantes no fomento ao desenvolvimento sustentável, mas ainda são uma ferramenta bastante tímida neste ponto. Ao passo que estas mudanças ocorrerem, as empresas devem cada vez mais perceber como o investimento em desenvolvimento sustentável se reflete não só em ganhos com economia no processo produtivo e fortalecer a marca perante seus consumidores com a associação ao meio ambiente mas também por torná-la mais atraente a possíveis investidores interessados no crescimento sustentável da economia. A prática ainda está no início.

Embora a crise de 2008 e 2009 tenha feito o preço do crédito de carbono sofrer uma queda expressiva e a Conferência dos Líderes Mundiais em Copenhagen ter acabado em fracasso, o final da vigência do Protocolo de Quioto em 2012 não deve representar o final dos Créditos de Carbono. Os CRE's demonstram reação nos preços negociados neste início de 2010 e um novo acordo entre líderes mundiais deve ser assinado ainda este ano, a fim de se estabelecer novas metas de redução para 2050.

19 de fevereiro de 2010

Dinheiro - Os Segredos de Quem Tem

Gostaria de comentar este livro sobre educação financeira que acabei de ler e que achei muito bom como primeira leitura para "formar a base psicológica e trabalhar a postura com relação ao dinheiro". O livro é de autoria de Gustavo Cerbasi, especialista em Finanças Pessoais, autor também de outros livros como "Casais Inteligentes Enriquecem Juntos" e "Mais Tempo Mais Dinheiro".


A obra discorre sobre a "Conquista da Independência Financeira", assim chamada pelo autor, através de uma metodologia "a la Baby Steps" que nos ajuda a identificar os erros mais comuns de pessoas que sempre chegam no final do mês reclamando que estão no vermelho e mostra como evitar tais erros através da conscientização sobre o destino a que devem ser dadas as nossas receitas e através de um plano de enriquecimento que atinja a aposentadoria, que, no economês, significa garantir uma fonte de renda que pague as despesas sem precisarmos mexer na fonte geradora. Em outras palavras, desenvolver plenamente as atividades que sempre sonhamos sem precisar se preocupar em trabalhar nunca mais.

Alguns pontos do livro chamam a atenção, como a diferença cultural fundamental que existe entre o brasileiro e o americano médio em sua forma de pensar. O brasileiro, ao entrar na faculdade ou pouco tempo depois, começa a receber seu primeiro salário e a primeira coisa que faz é comprar um carro, um dos piores investimentos que existem, comprometendo boa parte de seu salário ou bolsa-estágio num financiamento em média de 3 anos por um bem que lhe tomará parte de sua receita e ainda desvalorizará cerca de 15% logo no momento em que se gira uma chave dentro da concessionária. Ali está escrita a primeira linha na busca pelo patrimônio por parte de um indivíduo que provavelmente viverá o resto de sua vida cercado de contas a pagar e que não lhe foram impostas, sem conseguir o que o jovem americano buscou desde o início quando passou a escrever a primeira linha de seu patrimônio: o primeiro milhão de dólares.

Por quê um milhão de dólares? Porque um milhão de dólares num fundo de investimento, a 1% ao mês de renda por exemplo, rende 10 mil dólares por mês, o que significa que a partir daquele momento ele não precisará mais trabalhar caso se atenha a retirar apenas esta quantia mensalmente para sempre, já que após um mês, na mesma taxa de retorno, ele terá outros 10 mil dólares limpinhos para ele gastar como quiser. Dessa forma, ele pode desenvolver qualquer atividade plenamente e com toda a tranqüilidade sem se preocupar em trabalhar nunca mais, ou seja, ele estará aposentado!

São também apresentadas pelo autor 4 razões para a pobreza: desprezo pelos pequenos valores, falta de esforço por uma boa negociação, falta de percepção financeira e não saber aonde se quer chegar. Em minha opinião, esta última merece principal destaque porque as pessoas que conheço em geral não sabem aonde querem chegar. E esta deve ser a principal razão da infelicidade de muitos que, embora ganhem muito dinheiro, não têm objetivo. O dinheiro na verdade é confundido por muitos como objetivo de vida, mas na verdade ele deveria ser um meio para que os seus objetivos de vida sejam concretizados. Em primeiro lugar vem saber aonde se quer chegar, determinar seus objetivos de vida. Então a partir daí se descobre quanto dinheiro é necessário e se elaboram planos para que isso se torne viável. Vale lembrar que muitas coisas que nos tornam realmente felizes não custam absolutamente nada em termos financeiros, como estar bem com a família e dormir tranqüilo.

Salário é uma espécie de indenização pelo tempo em que você abriu mão de seus projetos pessoais e de sua família, visando ter renda no futuro. Alguém lhe paga salário para que, com seu trabalho, você lhe proporcione ganhos maiores.

A definição de salário presente na obra é bastante interessante e ilustra o que deve ser feito com ele. Através da metodologia dos 3 baldes, o autor mostra que se deve levar um padrão de vida abaixo do que o salário pode proporcionar naquele momento.

Nesta semana minha namorada comentou sobre uma pessoa extremamente simplória que ela vira e que, apesar de muito jovem e já com um filho para criar, esta carregava um celular de última geração. A crítica que faço, após ler o livro e ela descrever esta situação, é que o brasileiro é tão desprovido de percepção financeira que investe sua riqueza em bens de consumo que não retornarão nenhum ganho, pelo contrário, só mais pobreza. Comprar um celular, ou qualquer outro aparelho tecnológico, significa tornar cinzas o dinheiro que poderia ter sido investido em algo que tivesse um retorno, e tal retorno deve ser para sempre senão não adianta. Celulares, computadores e até mesmo carros sofrem constantes transformações intencionais e conseqüente desvalorização para que o motor do capitalismo seja estimulado: o consumo. O consumismo é isso: o gasto desenfreado e desnecessário com produtos, que podem ser supérfluos ou não.

A economia brasileira, segundo Cerbasi, está limitada em parte pela falta de poupança da população, que geralmente prefere gastar com bens materiais enquanto outra parte da população perde oportunidades de investimento, já que esse dinheiro gasto com bens de consumo sai dos bancos e não fica disponível para empréstimo àqueles que não o têm mas que podem investí-lo através desse financiamento. Os juros dos bancos acabam por ficar altos e isso implica encarecimento das taxas de juros de financiamentos.

Se seu plano de investimentos é construído com disciplina, veja como todos ganham:

  • Você ganha porque estará construindo um futuro tranqüilo.
  • Os necessitados ganham, pois com a vida estável haverá maior disposição para a doação.
  • Seus filhos ganham, pois herdarão renda, e não bens (a renda pode continuar crescendo no tempo).
  • Os bancos ganham se você investir em ativos financeiros.
  • Corretores ganham se você investir em ativos reais, como imóveis e obras de arte.
  • A economia como um todo ganha pois a partir do momento em que as pessoas se conscientizarem da importância de poupar e investir haverá mais dinheiro disponível girando na economia, o que fará com que os juros caiam.
Enfim, uma excelente leitura para quem procura se educar financeiramente.

18 de fevereiro de 2010

O que são créditos de carbono?

O Protocolo de Quioto foi um acordo internacional que estipulou metas de redução de emissão dos gases do efeito estufa até 2012. Países mais poluidores, classificados como pertencentes ao Anexo I, se comprometeram a baixar suas emissões dentro do prazo estipulado. Entre eles estão Japão e União Européia.

A atuação das nações no nível de emissões da mesma se dá por uma legislação restritiva a suas indústrias, forçando-as a investir na redução da emissão de gases de efeito estufa de forma a atingir as metas propostas pelo Protocolo de Quioto em 1997, referentes ao nível de emissões em 1990.

Todo país em desenvolvimento (não pertencente ao Anexo I) que implantar tecnologias propostas pelo MDL (mecanismos de desenvolvimento limpo) podem gerar CRE's (certificados de redução de emissão). Se uma termelétrica for substituída por uma usina de energia solar ou eólica, certamente muitas toneladas de dióxido de carbono deixarão de ser liberados todos os anos. Dessa forma, para cada tonelada de dióxido de carbono que deixa de ser produzida, um CRE é obtido.

O crédito de carbono nada mais é do que um CRE, o qual pode ser comercializado em bolsa. Dessa forma, os países do anexo I que não conseguirem atingir as metas de redução de emissão de gases de efeito estufa podem comprar esses créditos de carbono gerados por outras nações ou empresas. Ao passo que, indústrias do Anexo I que reduzem suas emissões abaixo do estipulado ou países em desenvolvimento que reduzem suas emissões através do MDL podem vender seus CRE's para outros.

Na BM&F já é possível comprar e vender créditos de carbono. Os créditos de carbono são contabilizados através da seguinte relação: 1 tonelada de dióxido de carbono que deixa de ser produzida equivale a um crédito de carbono. Há outros gases que também contribuem para o efeito estufa em proporções distintas. O metano, por exemplo, é 21 vezes mais poluente que o dióxido de carbono, portanto, reduzir 1 tonelada de metano produzida significa obter 21 créditos de carbono. 1 tonelada de dióxido de carbono está cotada hoje em US$15,00 ou US$18,00. Considerando que há um ano custavam US$5,00; estima-se que o valor deve subir para US$30,00 ou US$40,00 no período de implantação da meta imposta pelo Protocolo de Quioto.

Um exemplo dessa situação é a extração do petróleo em plataformas marítimas. Aquela flama que se vê saindo de uma chaminé é do metano sendo queimado e transformado em dióxido de carbono antes de ser liberado para a atmosfera. É menos impactante lançar ao ar livre o dióxido de carbono do que o metano, que possui capacidade de agravar o efeito estufa 21 vezes maior. A solução tem sido simplesmente queimar este gás.


O Brasil está em posição privilegiada neste contexto. Sendo um país que utiliza amplamente seus recursos hídricos, acaba por ter um índice de emissões inferior ao dos países desenvolvidos, podendo vender estas "cotas" de poluição.

Porém o futuro não parece ser tão promissor para o Brasil quanto parece. O baixo investimento no setor hidroelétrico e a iminente saturação de sua demanda de energia o colocou em uma situação complicada economica e estrategicamente. A meta de crescimento de 5% ao ano anunciada por Lula para os próximos 4 anos implica uma demanda energética para a qual não há oferta suficiente para suportar.

O plano do governo é instalar termelétricas, as quais são altamente poluentes e possuem baixo nível de produtividade. Dessa forma, a nossa vantagem no mercado de créditos de carbono fica seriamente ameaçada.

Em minha opinião uma decisão tomada por falta de planejamento. Em engenharia, considera-se um projeto de curto-prazo quando visa um período de até 10 anos; e a implantação de uma usina hidrelétrica leva pelo menos 8 anos, o que é muito tempo comparando-se a uma termelétrica que leva apenas 2 ou 3 anos, porém nada que não pudesse ter sido previsto no planejamento público.

Teorema de Coase: meio-ambiente e economia


"Suponhamos que Dick tenha um cachorro chamado Spot, que late e incomoda Jane, vizinha de Dick. Dick obtém um benefício por ser dono do cachorro, mas o cachorro confere uma externalidade negativa a Jane. Dick deve ser forçado a se livrar de Spot ou Jane deve ficar noites sem dormir por causa dos latidos de Spot?

Considere primeiro qual resultado é socialmente eficiente. Um planejador social, considerando as duas alternativas, compararia o benefício que Dick obtém da posse do cachorro com o custo imposto a Jane pelos latidos de Spot. Se o benefício exceder o custo, para Dick será eficiente ficar com o animal e para Jane, conviver com o barulho. Mas, se o custo for maior que o benefício, Dick deverá se livrar do cão.

De acordo com o Teorema de Coase, o mercado privado chegará ao resultado eficiente por si só. Como? Jane poderá simplesmente oferecer a Dick um pagamento para que se desfaça do cachorro. Dick aceitará se a quantia de dinheiro que Jane oferecer for maior do que o benefício de ficar com o cachorro.

Negociando o preço, Dick e Jane poderão sempre chegar a um resultado eficiente. Suponhamos, por exemplo, que Dick obtenha um benefício de $500 por manter o cachorro e que Jane arque com um custo de $800 por causa do barulho. Neste caso, Jane poderá oferecer um pagamento de $600 para que ele se livre do cão e Dick aceitará alegremente. As duas partes estarão em melhor situação do que antes e o resultado eficiente será atingido.

É possível, naturalmente, que Jane não esteja disposta a oferecer nenhum preço que Dick queira aceitar. Suponhamos, por exemplo, que Dick obtenha um benefício de $1.000 por manter o cachorro e que Jane arque com um custo de $800 provocado pelos latidos do cão. Neste caso, Dick recusaria qualquer oferta abaixo de $1.000 e Jane não ofereceria nenhum valor acima de $800. Neste caso, Dick ficaria com o cachorro. Dados os custos e benefícios, contudo, o resultado é eficiente.

Até aqui, admitimos que Dick tenha, por lei, direito de ficar com um cão que late. Em outras palavras, admitimos que Dick fique com o cachorro a menos que Jane lhe pague o bastante para convencê-lo a se desfazer do animal voluntariamente. Mas em que mudaria o resultado se Jane tivesse, por lei, direito à paz e à tranqüilidade?

De acordo com o Teorema de Coase, a distribuição inicial dos direitos não afeta a capacidade que o mercado tem de atingir um resultado eficiente. Suponhamos, por exemplo, que Jane tenha o direito legal de forçar Dick a se livrar do cachorro. Embora ter esse direito seja vantajoso para ela, provavelmente não mudará o resultado. Neste caso, Dick poderia pagar a Jane para que ela lhe permitisse ficar com o cão. Se o benefício de ficar com o cão para Dick exceder o custo do latido para Jane, os dois chegarão a um acordo que permita a Dick ficar com seu animal.

Embora Dick e Jane possam chegar ao resultado eficiente independentemente da distribuição inicial dos direitos, essa distribuição não é irrelevante: é ela que determina a distribuição do bem-estar econômico. O fato de Dick ter o direito a um cachorro que late ou Jane ter direito à paz e à tranqüilidade é que determina quem paga a quem no final da negociação. Mas, em qualquer um dos casos, as duas partes podem negociar entre si e resolver o problema da externalidade. Dick só ficará com o cachorro se o benefício exceder o custo.

Resumindo: o Teorema de Coase diz que os agentes econômicos privados podem solucionar o problema das externalidades entre si. Qualquer que seja a distribuição inicial dos direitos, as partes interessadas sempre podem chegar a um acordo no qual todos fiquem numa situação melhor e o resultado seja eficiente."

MANKIW, N. Gregory. Introdução à Economia. Tradução Allan Vidigal Hastings. 3ª edição. São Paulo: Thomson Learning, 2006.

De forma análoga, a situação descrita acima se aplica, mais do que nunca, aos impactos ambientais causados pela ação antropogênica. A emissão de material poluente por parte de uma indústria em um corpo de água usado para abastecimento da população é, guardadas as devidas proporções, exatamente a mesma situação de Dick e Jane.

Hipoteticamente, uma planta de produção de energia elétrica a partir de energia nuclear lança água quente como resíduo do sistema de refrigeração, o que significa uma externalidade aos posteriores consumidores desse recurso. O aumento de temperatura diminui a concentração dos gases dissolvidos no corpo d'água, inclusive o oxigênio, que é imprescindível à vida nos ecossistemas pluviais. Esse cenário implica a eutrofização do rio (morte dos animais auquáticos e sua posterior decomposição, tendo por conseqüência a proliferação de bactérias e algas que tampam a entrada da luz solar no corpo d'água). Além disso, a falta de "ar" no rio impactado dificulta a eliminação de partículas durante o processo de tratamento de água para posterior distribuição e consumo.

No final das contas, o prejudicado é o consumidor da água, que poderia ser comparado, a grosso modo, a Jane em nosso exemplo. O fato de o consumidor ser o indivíduo privilegiado no ponto de vista da lei, dá a ele a vantagem do bem-estar econômico. Em outras palavras, a Planta Nuclear arcará com o tratamento desse efluente se o benefício de não ser multada exceder o custo de tratamento da água.

Em meu ponto de vista, o governo, que é responsável por investimentos em tratamento desses efluentes, também estaria perdendo com esse mecanismo de impactação ambiental, já que acaba gastando mais recursos em conseqüência da poluição dos outros (não estou dizendo que o Estado também não seja um agente poluidor). Mas como o Estado não tem o beníficio do bem-estar social, citado anteriormente, acaba por ter que incentivar (pagar) empresas a diminuir a poluição de alguma forma em prol do próprio Estado.

Há também a possibilidade de mitigação (troca). É comum ver empresas como Souza Cruz, investir em obras sociais ou se responsabilizar por áreas de reserva ecológica e, ao mesmo tempo, manter suas atividades que envolvem a produção de tabaco e comercialização de cigarros, como se fosse uma troca. "Eu faço mal à sociedade mas em troca ajudo a sociedade de outra forma".

Dia Mundial Sem Carro


Os automóveis são o grande vilão na fatídica ampliação do Efeito Estufa por emitirem grande quantidade de gases a base de enxofre e carbono, sendo este último a maior causa do aquecimento global. Parece-me que o Dia Mundial Sem Carro, mostra que essa consciência já está presente em boa parte dos que se utilizam deste meio de transporte.

As montadoras já colocam à disposição do público carros capazes de suportar diferentes tipos de combustíveis, visando combater os preços da gasolina. A alta dos preços deste combustível desde a Crise Mundial do Petróleo na década de 70 confirma a teoria de que aumentar o valor de um bem pode não ter os efeitos esperados. Na época, os países membros da OPEP tinham como objetivo tornar maior a durabilidade do petróleo, mas provocou uma reação dos governos e empresas no sentido de investir em novas tecnologias a fim de substituir esse combustível. Foi uma reação de ordem simplesmente econômica e não pensada no meio-ambiente.

Já são encontrados nas concessionárias motorizações do tipo flex, que permite uso de gasolina ou álcool no Brasil. Na Europa existe situação semelhante porém com gasolina e diesel. Essa diferença ocorre devido aos subsídios do governo brasileiro ao diesel, já que boa parte do escoamento da produção nacional é feita por caminhões. Assim, apenas utilitários podem ser movidos a diesel no território nacional. O diesel é mais vantajoso que o álcool se levarmos em consideração a emissão de poluentes, já que é mais eficiente e produz mais energia. Mas se levarmos em consideração a sustentabilidade do diesel, perde feio para o álcool, que é uma fonte renovável.

No futuro, o panorama será um pouco diferente. As grandes montadoras pensam também na redução de emissão de gases. Para tal, estão sendo desenvolvidos formas híbridas de motorização aliando energia elétrica à combustíveis ordinários como gasolina, álcool e diesel. Aí sim estaremos ajudando a reduzir a poluição. Já existem protótipos viáveis técnica e comercialmente:


Citröen Cactus. Faz 33km/L e custaria cerca de R$ 60.000,00.

As motocicletas hoje já representam uma grande fonte de poluição, principalmente em cidades como São Paulo, onde há milhares delas e não há ainda uma legislação que obrigue as montadoras a reduzir as emissões das mesmas. Pode-se dizer que o governo ainda precisa fazer sua parte, não só na legislação mas também oferecendo um transporte público de qualidade que realmente faça a população preferir manter seu automóvel na garagem. A cidade de São Paulo precisa dar praferência ao transporte público. Algumas ciclovias seriam bem-vindas mas não resolverão, nem de longe o problema do trânsito e da poluição decorrente do excesso de carros na cidade.

Dia Sem Carro acontece em 56 cidades no país neste sábado

da Folha Online

O Dia Mundial Sem Carro será comemorado em 56 cidades brasileiras neste sábado (22). Em todo mundo, 1.800 cidades realizam a campanha, com a interdição de ruas e a realização de atividades que estimulem a população a deixar o carro em casa e procurar outras formas de transporte, principalmente a bicicleta.

O objetivo principal da campanha é melhorar a qualidade do ar nos municípios e, com isso, a qualidade de vida da população.

Para incentivar os municípios a criarem políticas públicas, o Ministério das Cidades lançou nesta sexta-feira o Caderno de Referência para Elaboração de Plano de Mobilidade por Bicicleta nas Cidades. A publicação traz orientações técnicas para as prefeituras integrarem a bicicleta ao sistema viário de suas cidades.

O caderno reúne dados sobre o uso da bicicleta no Brasil, como a produção e frota, extensão das ciclovias e ciclofaixas.

Habitação, urbanização e meio-ambiente

O estado de São Paulo possui um déficit habitacional de quase 8 milhões de unidades. A secretaria da habitação em conjunto à CDHU são responsáveis pelo planejamento e programação do desenvolvimento habitacional e saneamento em todo o território, atuando com mais relevância nos grandes centros ao redor de Campinas, São Paulo e baixada santista (considerando apenas os limites paulistas), onde os problemas de urbanização descontrolada e do processo de "periferização" das camadas mais pobres são mais intensos.


Atualmente, o mercado imobiliário só é capaz de atender à demanda da população com renda de pelo menos 5 salários mínimos. Abaixo dessa renda, o poder de compra e endividamento do "cidadão" não é capaz de mover significativamente o mercado construtor (quem não tem um teto para morar não pode sequer exercer seu direito de cidadania). Entretanto, quem recebe menos de 5 salários mínimos não é capaz nem ao menos de pagar um aluguel. O que acontece com essas pessoas? Dessa forma, o Estado atua como direcionador do setor da construção civil como grande comprador de moradias para a população de baixa renda. Entretanto, a política de contratação a preços fixos (ver post do dia 06/03) tem sido um grave problema no que se diz respeito à qualidade das unidades. Em obras de baixo valor, o lucro é ínfimo ou inexistente, portanto, as empreiteiras têm participado de licitações com valores abaixo do custo.

E o lucro? De onde vem? Vem da sub-contratação de funcionários sem treinamento ou carteira assinada e da redução da qualidade do empreendimento, podendo ser extendido até mesmo à falta de segurança em alguns casos. O governo tem criado mecanismos para combater o problema através de acordos com fornecedores e empreiteiras, garantindo padrões mínimos de qualidade para produção de material e mão-de-obra para construção. A empresa que participar da licitação, deve também apresentar o Plano de Qualidade da Obra, que atesta a qualidade do projeto por meio de fundações como a Vanzolini.

Além disso, o mercado imobiliário "periferiza" a população menos abastada, que sofre com a precariedade do transporte público e perde em qualidade de vida. O ideal é que as autoridades construam unidades habitacionais próximas aos locais onde essas pessoas se encontram e também proporcionem a ocupação das áreas centrais, as quais sofrem com processo de abandono e necessitam de medidas de adensamento, o que melhoraria a qualidade de vida desses beneficiários já que permaneceriam menos tempo no (superlotado e estressante) transporte público para se deslocar ao trabalho ou aos estudos (ver post do dia 09/09). Vamos fazer uma conta? Se o indivíduo levar 2 horas diárias para ir e voltar do trabalho ao invés de 4 horas, economizará após 15 anos o tempo suficiente para cursar 3 faculdades!!!

No entanto, construir habitações de baixa renda acabam por ser inviabilizadas em vários sítios próximos ao centro devido à extrema valorização imobiliária de algumas regiões. Nesse ponto, fica evidente a importância do subsídio governamental a estes empreendimentos com a doação do terreno para a construção ou então doação de prédios abandonados para posterior reforma ou implosão.

As diretrizes da pseudo-política de habitação estabelecem 3 áreas básicas de escopo: urbanização de favelas, regularização da "cidade ilegal" e requalificação de moradias. Em favelas como a do Jaguaré, próxima à Marginal Pinheiros em São Paulo, a grande quantidade de famílias não permite que as mesmas sejam deslocadas, sendo assim mais viável a urbanização da própria favela através da construção de habitações seguras, sarjetas, pavimentos, esgoto, postes de luz e abastecimento de água. O problema neste caso é que muitas famílias não aceitam participar do projeto porque estão acostumadas a não pagar por qualquer tipo de serviço ou imposto como água, luz, IPTU e prestação do imóvel.

Tendo em vista essa dificuldade compartilhada por muitos desfavorecidos, o governo criou o Crédito Solidário. Por meio da Caixa Econômica Federal, o Estado financia 100% do valor do imóvel, sem juros, com prestações fixas de 0,5% a.m. resultando no valor de R$170,00 já que o valor total da unidade é de R$34.000,00 no caso da CDHU (mas muitos não querem ou não podem pagar este valor). Esta parcela de financiamento popular responde por cerca de 40% do volume do montante total financiado no mercado imobiliário, ao passo que representa cerca de 80% em quantidade de finaciamentos neste mesmo mercado. Os financiamentos, tanto por parte das construtoras quanto dos compradores, somam 11% do volume do mercado imobiliário e a média de parcelamento é de 80% do valor total do imóvel. O Banco Real, por exemplo, permite o financiamento total do imóvel mediante promessa de garantia com o imóvel anterior. Essas facilidades de obtenção em linhas de crédito são causas do seu aumento de cerca de 50% a.a. desde 2004, o que inclusive aqueceu o mercado da construção civil (estagnado nos anos 90).

Os bancos têm criado restrições no tocante à sustentabilidade e não-impacto ao meio-ambiente por parte de empreiteiras e construtoras. Hoje, uma empreiteira que não se adequa a padrões internacionais de não-agressão não conseguem sequer ser correntistas de bancos como o Real ABN-AMRO Bank. Todas as empresas que apresentam projetos de diminiução comprovada dos impactos ambientais têm acesso facilitado a linhas de crédito em bancos privados como o citado anteriormente.

Outro problema é a questão da desapropriação de assentamentos de famílias em áreas de risco, mananciais e glebas privadas. A ocupação da cidade marcha em direção à periferia paulistana (extremo sul e leste da cidade), sendo mais relevante no sul às voltas da Represa Guarapiranga, fonte de abastecimento de água em São Paulo. O governo tem pago indenizações, que perduram desde os tempos da ditadura (podendo chegar a R$7.000,00 se for moradia de alvenaria), a essas pessoas que moram em áreas de risco e mananciais para que abandonem esses locais.Atualmente há 2 milhões de pessoas vivendo em áreas de mananciais, contribuindo para a poluição dos mesmos. É uma prática indiscutivelmente condenável e ineficiente porque não há preocupação com o destino dessas famílias, que fatalmente erguerão outro barraco em uma outra área de risco, manancial ou área privada. Temos aqui um grande exemplo de gasto acéfalo de dinheiro público e que obviamente não resolve o problema da moradia pública e se assemelha (se não for) uma política antiga de higienização da cidade. O correto seria fiscalizar e evitar que haja qualquer tipo de assentamento nessas regiões através dos instrumentos que o governo dispõe.

Um exemplo de desapropriação é a Serra do Mar, onde se encontram áreas de instabilidade e, no bairro da Água Fria, há mananciais utilizados pela Sabesp para abastecimento da região sul da Baixada Santista. Desapropriação não é coisa só de pobre, essa também atinge a mansão de um vereador com piscina e vista para a Serra. Tudo tem que ser muito bem estudado.

A nova vocação do estado de São Paulo para a cana-de-açúcar também é um novo fator de agravação da falta de habitação. Esse tipo de atividade cada vez mais mecanizada acaba por estimular o êxodo rural e nos remete novamente à questão da Reforma Agrária, que protegeria os direitos desses trabalhadores rurais à terra e não os submeteria aos grandes latifundiários. A Reforma Agrária seria uma solução para remover da abarrotada cidade de São Paulo aqueles que possuem vocação para a atividade do campo.

São Paulo possui déficit de 8 milhões de unidades, ao passo que há 5,5 milhões de imóveis vazios. Imóveis sub-utilizados, déficit social, falta de regularização de inúmeras unidades habitacionais ("cidade ilegal"), urbanização descontrolada, inadequação da tipologia das unidades (não adianta colocar famílias de 10 pessoas em apartamentos de 41m²) e violência urbana são alguns dos indicadores que atestam a ineficiente política pública habitacional, que, aliás, não existe. O que mais nos envergonha é pensar que há 10 anos atrás, um comitiva do México veio ao Brasil aprender sobre nossa forma de atender a essa demanda habitacional e hoje eles são um modelo para o mundo inteiro de um sistema que deu certo, um sistema grande e eficiente de oferecimento de moradias à população mais pobre.

A constituição nacional protege o direito à moradia e o descaso com os sem-teto e outras pessoas que vivem em moradias inseguras fere a própria constituição. Mas é fato que exclusão econômica (baixa renda) gera exclusão habitacional. Para que uma pessoa exerça seu papel de cidadã, precisa ter um teto para morar. Não ter um teto para morar significa não ter endereço, não ter emprego, não ter estudo, não ter crédito, não evoluir, não existir.

"Política habitacional?! Isso existe?! O processo de urbanização é uma palhaçada. Ela é totalmente regida pelo mercado imobiliário."

Cogeração: sustentabilidade é agora

Sustentabilidade é a palavra do século. Nesta semana um amigo, Sérgio Lagoa, comentou sobre este processo que promove a sustentabilidade. Entretanto não estamos falando do futuro, mas sim do presente. A cogeração consiste em produzir energia elétrica e térmica simultaneamente a partir de um combustível comum ou, melhor ainda, a partir de resíduos da atividade industrial.

Todos devemos saber que a atividade humana fatalmente produz muitos resíduos, principalmente lixo proveniente de atividades domésticas, industriais e da construção civil. Tudo que transformamos, em processos antropogênicos, gera produtos desinteressantes. O que devemos fazer com isso? Em geral, o transporte desse lixo infelizmente inviabiliza economicamente a reciclagem do mesmo, principalmente em cidades como São Paulo, que produz quantidades astronômicas de resíduos e possui apenas uma estação cadastrada para reaproveitamento de resíduos da construção civil, por exemplo. Imagine se vale a pena pagar para um caminhão transportar lixo no trânsito caótico de São Paulo (ver post do dia 09/09) por um percurso de, em alguns casos, 40 quilômetros! Inviável...

Em uma indústria de embalagens chamada INAPEL, localizada em Guarulhos (São Paulo), Sérgio ajudou a implantar um sistema de cogeração movido a gás natural. Este processo permite que a planta seja capaz de atingir um nível de eficiência beirando os 90%. Para se ter uma idéia, um carro movido a gasolina aproveita em média apenas 30% da energia contida em seu combustível.

A indústria de papel e plásticos produz muitos dejetos agressores de corpos d'água e da atmosfera, causando um déficit ambiental grave. As regulamentações impostas pelo governo a partir da década de setenta demandam investimentos por parte dessas indústrias de forma a minimizar o dano ocasionado, o que resulta em encarecimento dos produtos e impactos na economia. Essas externalidades podem ser generalizadas para a escala mundial, o que significa um impacto na economia mundial somente devido a passivos ambientais causados por indústrias.

Portanto, a otimização da produção energética na indústria através da cogeração traz benefícios não só do ponto de vista da auto-suficiência energética, mas também do ponto de vista econômico do mercado. O capital que antes era "queimado" na forma de combustível não aproveitado agora pode ser empregado no tratamento de emissões da indústria e, conseqüentemente, é capaz de beneficiar a oferta dos produtos oferecidos pela fábrica em questão de modo a melhor atender sua demanda no mercado.

É uma forma inteligente e eficiente de controle do meio-ambiente, A alternativa é capaz de ao menos minimizar drasticamente o problema ambiental sem que seja necessária a tributação. Temos aqui um exemplo claro do Teorema de Coase: o governo, ao incentivar indústrias a implantarem processos de cogeração, estão trazendo benefícios tanto para as empresas quanto para si mesmo.

A sustentabilidade é uma realidade!

Acesse: http://www.inapel.com.br/

Confiabilidade do sistema de tratamento de água

O sistema de tratamento de água para o abastecimento da população paulistana é confiável? Nem tanto assim...

O processo tem 3 fases principais: cloração, floculação e filtração. A cloração tem como principal objetivo erradicar possíveis microorganismos patogênicos, como bactérias e protozoários, além de auxiliar no processo de eliminação de algumas substâncias indesejáveis, seja por fatores estéticos ou químicos. Utiliza-se, como parâmetro para potabilidade da água, entre outros, a incidência de bactérias na amostra coletada a partir da água tratada.

O que questiono aqui é o uso de bactérias patológicas como padrão para determinar a potabilidade da água. Estaria tudo bem, não fosse um outro agente patogênico: os vírus. São seres muito menores, mais simples, mais resistentes e às vezes muito mais perigosos que as bactérias. Além disso, são responsáveis por doenças como raiva, caxumba, rubéola, sarampo, hepatite, dengue, poliomielite, febre amarela, AIDS e alguns tipos de câncer. Infelizmente, não ter bactérias na água não significa que não haja vírus.

Mas a situação não é tão alarmante. Nas estações de tratamento de água para abastecimento, pratica-se a hipercloração da água, o que permite reduzir satisfatoriamente a incidência de vírus no corpo d'água, embora não haja um controle sobre este parâmetro. Tomar água hiperclorada é altamente prejudicial à saúde mas como o cloro é volátil, sua concentração não é tóxica quando chega às torneiras da população. Sua característica residual, também permite eliminar possíveis contaminações na tubulação (velha) de distribuição da água.

O caso das estações de tratamento de água de reuso é mais crítico. A cloração não é rigidamente controlada , tampouco é feita em níveis satisfatórios. Portanto não há garantia alguma de que essa água possa ter salobridade para o contato humano. Apesar de não ser usada diretamente para consumo, é utilizada por exemplo na irrigação de plantações. Daí a necessidade de se higienizar bem alimentos a serem consumidos.

Transporte público em São Paulo: solução para o caos ou a razão dele?

Todos os dias dirijo na Marginal do Tietê e vejo aquele trânsito monstro, com infinitos carros e caminhões emitindo gases de enxofre e carbono, potencializadores do efeito estufa. São Paulo tem muitos carros (aproximadamente 5 milhões) e poucos ônibus (aproximadamente 15.000), o que implica trânsito caótico e poluição além do aceitável. O primeiro é fonte de estresse, atraso e acidentes; já o segundo é a razão de doenças respiratórias, ilhas de calor sobre o município e baixa qualidade de vida.

Sempre que se fala em transporte público, não dá para não citar Curitiba, considerada pela UNESCO uma das 60 cidades-modelo. Operando com cerca de 1.900 ônibus que transportam meio milhão de passageiros e com grau de satisfação beirando 90% dos usuários, o município com população cerca de dez vezes menor que São Paulo é referência mundial em transporte público. A receita é simples: baixa relação de usuários por ônibus (263 contra os 467 de São Paulo) e alta eficiência na locomoção desses veículos com o sistema de terminais, estações-tubo e faixas exclusivas de ônibus.


Idéia semelhante foi adotada em São Paulo durante o mandato da ex-prefeita Marta Suplicy, com a implantação de corredores de ônibus em diversas vias de tráfego pesado, como as avenidas Rebouças, Eusébio Matoso, Ibirapuera e Paulista. Está previsto para este ano um novo corredor na avenida Sumaré. Acredito que a idéia mais sensata é estimular o uso do transporte público pela população através do oferecimento de um sistema eficiente e de qualidade, alcançado apenas com medidas deste cunho. Não há vantagem, sócio-econômica e jurídica, em desapropriar imóveis para ampliação e construção de vias para facilitar o fluxo de automóveis.

Espero o dia em que verei mais ônibus na Marginal Tietê do que carros. Se o transporte coletivo tivesse qualidade e eficiência, estaria disposto a manter o carro na garagem durante a semana.

Expansão agrícola - o novo desafio velho da cana-de-açúcar

O Washington Post publicou uma notícia há cerca de 2 anos sobre um novo impulsionador da expansão da fronteira agrícola: a cana-de-açúcar. Ela é a nova ameaça, não só para a Amazônia, mas também para o Cerrado. Esse problema já é antigo com a migração dos sulistas à região do cerrado para criação de gado e cultivo de soja. Desde então a amazônia tem diminuído, recuado. O cultivo da cana só vem a agravar um problema já antigo. Confira a notícia na íntegra aqui: http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2007/07/30/AR2007073001484.html


O desmatamento da região amazônica tem implicações gravíssimas no sistema da região. O solo é argiloso, impermeável e incapaz de reter nutrientes por si só. Combinando este fator físico à chuva (cada vez mais) ácida que hipoteticamente cairia diretamente sobre o solo carente de cobertura vegetal, formar-se-ia um deserto no lugar da floresta tropical. Além disto, perderíamos muito em plantas e variedades importantíssimas para a pesquisa da indústria farmacológica, além da necessidade de se preservar o potencial hídrico da região. Embora não seja propícia para instalação de usinas hidrelétricas (o que seria totalmente desnecessário), a bacia hidrográfica do Amazonas é uma rara e importantíssima fonte de água potável e meio de transporte fluvial. A bacia amazônica secaria, num caso extremo.

A nova ameaça aos ecossistemas do Cerrado e da Amazônia, a cana-de-açúcar, tem como origem os esforços do governo federal e entidades privadas em oferecer fontes alternativas de combustível para os milhões de automóveis existentes no país. E a bola da vez é o álcool, mais barato que a gasolina e com tecnologia para sua produção já desenvolvida.

O cultivo de cana-de-açúcar é extremamente impactante, muito mais do que o cultivo de soja e a criação de gado. Isso devido à prática da queima do solo, que gera poluição do ar com liberação de gases amplificadores de efeito estufa e também degradação do solo queimado. A queima da cana é uma prática proibida por lei, entretanto continua a ser efetuada continuamente. No mês de junho estive viajando durante a noite no interior de São Paulo, o maior estado no cultivo de cana, e tive sérios problemas pra trafegar na estrada. Mal se podia enxergar o pavimento devido à densa fumaça proveniente da queima de cana. Ao menos, os "olhos de gato" das estradas bem conservadas deste estado são capazes de evitar acidentes. As queimadas em geral são feitas à noite por causa da maior velocidade dos ventos que proopiciam melhor dispersão da fumaça neste horário.

Energia Nuclear: “Ser ou não ser”

O pré-sal foi descoberto e foi tudo por água abaixo.

Texto escrito por mim em 2007 que reproduzo na íntegra:


A construção da nova usina nuclear Angra III deve ter início ainda este ano, entretanto, a crise política pode atrasar o aval do governo para que as obras se iniciem. O projeto deve ser concluído em 66 meses e custará R$ 5,8 bilhões de reais em 5 anos, financiados pela Eletrobrás, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e por bancos comerciais estrangeiros. Essa nova planta de produção energética a partir de urânio deve ter capacidade semelhante à de Angra II, podendo atender à demanda de uma população de 2 milhões de pessoas.

Essa notícia levanta aquela velha questão: Seria a energia nuclear perigosa? Será que essa posição cautelosa (por quê não dizer preconceituosa?) dos ambientalistas em relação ao uso de energia nuclear se justifica? Não faltam por aí defensores do modelo atual da matriz energética brasileira baseada em hidrelétricas, tidas como fonte de energia limpa, segura e renovável. Será que essa afirmação é verdadadeira? A seguir tentarei responder estas e outras perguntas que muitos têm feito, principalmente após a aprovação da construção de Angra III.

A energia nuclear não é um exemplo de fonte renovável e por isso pode ser um erro adotá-la como principal fonte energética, porém, o nível de emissão de gases poluentes é nulo na usina e o impacto ambiental só é considerável na fase de exploração mineral; portanto, é uma alternativa muito atraente no combate à amplificação do efeito estufa, ajudando na estabilização da emissão mundial dos gases que são a razão do super-aquecimento global. Por sua vez, a área alagada causada por uma hidrelétrica causa morte da vida aquática devido à decomposição das áreas verdes submersas (eutrofização) e libera gás metano na atmosfera, que é cerca de mil vezes mais prejudicial ao efeito estufa do que o gás carbônico.

Não há como citar a energia nuclear sem se lembrar do fatídico ano de 1986, quando explodiu a usina de Chernobyl. Este desastre matou oficialmente 4.000 pessoas. Além disso, cerca de 5,5% da força de trabalho ucraniana ficou inerte devido às conseqüências do acidente. Porém, o reator usado na ocasião é do tipo RBMK (usa plutônio como combustível), que é muito instável à baixa potência, diferente dos geradores utilizados no Brasil, do tipo PWR, que utilizam urânio como combustível, sendo assim mais seguros e eficientes. Portanto, o vazamento de Chernobyl não se aplica à realidade do projeto nuclear brasileiro e foi bastante destrutivo devido à inexistência das medidas de segurança previamente citadas. Seu reator estava presente no interior de um galpão carente de qualquer tipo de isolamento com o mundo exterior.

O Brasil possui grande potencial para produção e auto-suficiência em energia nuclear através do urânio, possivelmente até exportando o excesso da produção de energia elétrica gerada pelo recurso em questão. É possível prever um aumento da relevência da energia nuclear na matriz energética como fonte complementar à demanda nacional. Entretanto, os órgãos fiscalizadores (IBAMA), legisladores e administradores (SEMA e CONAMA) sofrem com a falta de normas que seriam adotadas a fim de promover um melhor aproveitamento do recurso. Há necessidade de maior rigorosidade na execução da fiscalização dessa prática, já que se trata de um material perigoso, tanto para o meio ambiente quanto para o próprio Homem, que se beneficia dele.

Hoje mesmo (08/09) José Serra, governador de São Paulo, criticou o governo federal pela falta de planejamento e metas a serem seguidas: “Está faltando um rumo mais definido, um projeto que a Nação tenha uma percepção melhor, para onde vai e possa também decidir a respeito desse futuro caminho.” - disse Serra. Quem sofrerá com essa irresponsabilidade somos todos nós, que teremos que enfrentar um apagão crônico até o fim dessa década devido à falta de investimentos no setor energético. Por essa razão, o Brasil será obrigado a aumentar o número de termelétricas nos próximos anos a fim de suprir essa demanda crescente e comprometerá sua posição privilegiada no mercado de créditos de carbono, fruto de uma política de utilização dos recursos hídricos como fonte de energia principal.

Mas olhemos pelo lado bom: O país tem crescido pouquíssimo (para ser mais específico, só ganhou do Haiti neste ano) e isso possivelmente adiará o nosso apagão estrutural. Não adiantará rezar pela chuva, como fizemos em 2001, dessa vez teremos que rezar para que, na próxima eleição, o povo escolha alguém mais preocupado com este país. Já pensaram se hoje o Brasil crescesse a um ritmo alucinante como a China, criando milhares de empregos e ganhando novos mercados??? Que horror seria!!! Ficaríamos sem luz em 6 meses!!! Pelo menos é o que deve estar pensando Lula e seus poucos acessores.

Por maior que seja este país de proporções continentais, eu não consigo acreditar que cobrando quase 40% de impostos faltem investimentos em infra-estrutura e energia. Na minha opinião, precisamos mandar esses políticos corruptos e sem senso de coletividade para a cadeia e planejar melhor nosso futuro, começando dentro de nossas casas. Se a nossa sociedade se der conta disso, um dia se refletirá na nossa política também.

Por fim, uma frase de José Serra e algumas perguntas para que os apreciados leitores reflitam, neste fim-de-semana de comemoração ao dia da independência:

“Um requisito fundamental do desenvolvimento é o crescimento sustentado da economia, ano após ano, e não bolhas de crescimento em determinados momentos. O Brasil precisa desse projeto para gerar emprego, para gerar renda para as famílias. Emprego e renda são condições essenciais para que as pessoas possam progredir e aproveitar as oportunidades na vida. Essa é a minha preocupação essencial num dia como hoje, em que comemoramos nossa independência.”

Somos independentes? Ou ainda há milhões de brasileiros que não ganham o suficiente para decidirem seus futuros e escolherem suas oportunidades na vida? Seriam eles escravos da falta de oportunidade?

C-40 e APEC

Líderes do Apec assinam acordo sobre o clima

Os líderes do Fórum de Cooperação Econômica da Ásia-Pacífico (Apec) assinaram hoje a Declaração de Sydney sobre a mudança climática, anunciou o primeiro-ministro australiano e anfitrião da reunião, John Howard. O documento, cujo conteúdo foi divulgado logo em seguida, se apresenta como "uma pedra angular para se obter um acordo internacional sobre a mudança climática".

Howard explicou em entrevista coletiva na Ópera de Sydney que "a declaração reconhece a necessidade de conseguir um uso mais eficiente da energia". Ele destacou ainda "a necessidade de que todas as nações contribuam segundo suas capacidades e circunstâncias" para corrigir a mudança climática. A declaração "reconhece a necessidade de um consenso sobre objetivos a longo prazo para reduzir as emissões globais de gases poluentes, para que levem um acordo efetivo sobre a mudança climática após 2012". Para isso, é vital que "todas as nações contribuam para atingir o objetivo, segundo suas capacidades e circunstâncias nacionais".

O texto prevê a adoção de "metas regionais para reduzir a intensidade energética e aumentar a superfície de florestas, com políticas que apóiem o crescimento econômico com redução de emissões de gases poluentes". "Novas tecnologias, e principalmente recursos e produção com emissões baixas ou nulas, serão cruciais para obter uma redução de emissões real", diz o documento. Howard afirmou que a resolução fortalece a luta contra a mudança climática, além de provar que o Apec está vivo e que o sistema do consenso funciona. Pela iniciativa da Austrália, os 21 países se comprometem a melhorar a eficiência energética em 25% até 2030. A Declaração de Sydney também escolhe a ONU como o espaço adequado para discutir e dirigir a luta contra a mudança climática.

A Conferência da ONU sobre a Mudança Climática será realizada na ilha indonésia de Bali, em dezembro. O documento foi aprovado hoje na abertura da Cúpula do Apec, para poder contar com a assinatura do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. Hoje à tarde ele retorna para Washington, e não poderá assistir ao encerramento da reunião, amanhã. O Apec é formado por Austrália, Brunei, Canadá, Chile, China, China, Coréia do Sul, EUA, Filipinas, Hong Kong, Indonésia, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Papua Nova Guiné, Peru, Rússia, Cingapura, Tailândia, Taiwan e Vietnã.

Notícias como esta nos fazem crer que a criação do C-40 no fim de 2005 foi uma boa idéia. O C-40 é um grupo de 40 cidades, entre elas São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro, que se unem para fazer sua parte a fim de combater o aquecimento global, dando um passo a frente das ineficazes e lentas medidas tomadas pelas entidades nacionais onde se localizam estas cidades.

O projeto é importante porque essas 40 cidades são responsáveis por 80% das emissões mundiais de gases do efeito estufa e 75% do consumo mundial de energia. O projeto espera economizar de 20% a 50% de energia com a troca dos sistemas de refrigeração, aquecimento e iluminação por alternativas mais eficientes a partir de US$ 5 bilhões.

Uma verdade inconveniente (An inconvenient truth - Al Gore)

Se alguém perguntar a você como o aumento nas emissões do dióxido de carbono pode alterar a nossa vida daqui pra frente e você não tiver a mínima idéia do que dizer, indico um filme a você: o documentário feito por Al Gore, vencedor do Oscar, durante suas inúmeras viagens pelo mundo tentando descobrir mais sobre as causas sobre o aquecimento global. O filme mostra, de forma superficial, dinâmica e nada cansativa as mudanças pelas quais o planeta está passando e as conseqüências até mesmo no nosso dia-a-dia no futuro. Filme sobre um tema importante e que prende a atenção. Quer mais o quê?!

Este é o gráfico mais conhecido do filme. Ele mostra a relação entre o aumento de temperatura e o aumento na concentração de dióxido de carbono na atmosfera terrestre devido à ação antropogênica nos últimos 100 anos de revolução industrial:


A coisa vai ficar quente por aqui... mas quais as conseqüências??? Um calorzinho só? Usar bermuda no inverno? NÃO!

Onde chove vai chover ainda mais, onde não chove vai chover ainda menos, as chuvas serão mais raras e mais torrenciais, derretimento das geleiras e mudança no nível do mar, alagamento de algumas áreas costeiras e secagem de outras. O problema maior é que a natureza não obedece a padrões lineares muitas vezes, ou seja, essas mudanças podem sim ocorrer drasticamente como no filme "o dia depois de amanhã", ao contrário do que muitos pensam.

A Gröenlandia possui uma camada natural de gelo sobre sua plataforma que está derretendo. O problema é que toda aquela água gélida que se encontra sobre sua plataforma pode ser liberada repentinamente no Atlântico norte, o que implicaria o resfriamento de correntes de ar quente que trazem calor ao hemisfério norte provenientes do Equador. Esse acontecimento catastrófico significaria uma nova era glacial no hemisfério norte em plena fase de aquecimento do planeta!

Só pra constar:

A polícia da Califórnia prendeu nesta quarta-feira (4) Albert Gore III, o filho do ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore, depois de encontrar maconha e narcóticos em seu automóvel.

O carro Toyota Prius (movido a baterias elétricas) azul de Gore filho foi detectado pelas autoridades circulando a mais de 160 km por hora na I-5, a principal autopista da costa oeste.

Após parar seu carro, a polícia sentiu cheiro de maconha, revistou o automóvel e encontrou a droga, assim como Vicodin, Valium, Xantax e Adderal -drogas que exigem prescrição médica para tratamento psiquiátrico.

"Ele não tinha receitas para nenhum dos medicamentos", indicou Jim Amormino, porta-voz do departamento do xerife.

Desastre de Bhopal: por dentro do que aconteceu

Na madrugada do dia 2 para o dia 3 de dezembro de 1984, acontecia o maior desastre da indústria química na história. 40 toneladas de isocianato de metila se dispersavam pela cidade a partir de uma fábrica de pesticidas localizada no coração da cidade indiana Bhopal. Milhares de pessoas morreram naquela madrugada e outras centenas de milhares sofrem as conseqüências até os dias de hoje.

Na época, a Union Carbide, responsável pela planta causadora do incidente, se negou a fornecer informações sobre a natureza do gás liberado, o que dificultou o diagnóstico por parte dos médicos e potencializou uma tragédia que poderia pelo menos ter sido amenizada não fosse a atitude negligente da corporação. Posteriormente, a empresa foi condenada a pagar indenizações às famílias, as quais não foram totalmente quitadas até hoje e culminaram com a falência e venda do espólio da Union Carbide à norte-americana DOW Chemicals, a maior indústria química do mundo, em 2001.

Embora a Union Carbide tenha sido incorporada pela DOW, esta se nega a arcar com os passivos ambientais deixados pelo desastre, como a contaminação da água e das pessoas da região. Veja como era a região, a fábrica é a construção branca no centro e a cidade está ao redor:

O isocianato de metila era uma molécula muito interessante na indústria química mundial por substituir os CFC´s, conhecidos por serem responsáveis pela destruição da camada de ozônio. Sua alta toxicidade no entanto era desconhecida ou pouco conhecida, o que também determinou grande impacto pela falta de tratamento a essa espécie.

Do ponto de vista toxicológico, o isocianato de metila pode agir por via inalatória ou pelo trato gastro-intestinal. Na primeira hipótese, o gás entra pelo pulmão e cai diretamente na corrente sangüínea, proporcionando toxicidade mais elevada do que na segunda hipótese, na qual a substância precisa ser primeiramente dissolvida na saliva para depois ser ingerida e caminhar até ser absorvida pelo duodeno e entrar na circulação sangüínea. Na verdade, essa substância não é o agente tóxico; há uma reação entre a s-glutationa e o isocianato de metila, que gera um produto chamado n-benziloxicarbonil-dimetilester. Este sim é agente tóxico, já que desnatura as estruturas secundárias e terciárias das enzimas ao reagir com os radicais sulfidrilas em aminoácidos do tipo cisteína. As enzimas perdem sua função biológica e levam o indivíduo à morte em poucas horas.

Fisiologicamente, há obstrução dos bronquíolos levando a sufocamento, náuseas, vômito, dor abdominal, hemorragia, aborto, fraqueza, tremores, perda de audição, vertigem e coma. É uma substância altamente tóxica, figurando entre as 20 mais tóxicas que se tem conhecimento.

Acreditava-se que ao se liberar o gás, o mesmo em contato com a água se decomporia em dois produtos inertes e estáveis. Porém, não foi o que aconteceu e coloca-se a culpa nos dois operários que manuseavam a válvula de segurança no momento do acidente. É como aquela frase que foi usada pela mídia à época do acidente do vôo JJ3054 da TAM: "morto não se defende".

Região brasileira onde se dá a exploração, o beneficiamento e a distribuição do urânio.

Onde a coisa acontece? Aqui explico onde ficam as instalações brasileiras e pra que servem.

O Brasil possui hoje a 6ª maior reserva de urânio no mundo. As maiores reservas conhecidas no Brasil deste recurso natural estão nos estados de Minas Gerais, Bahia, Ceará e Paraná, totalizando mais de 300.000 toneladas de urânio, o que implica auto-suficiência na produção do combustível e até exportação do excedente.

Inicialmente, a extração de urânio e beneficiamento do mesmo se dava em Caldas (Minas Gerais) para suprimento das usinas nucleares nacionais na década de oitenta. Após o fim das reservas naquela região, a extração passou a ser feita em Lagoa Real (Bahia), cabendo a Caldas o beneficiamento e a Resende (RJ) a produção do combustível usado no complexo de Angra dos Reis.

A reserva de Lagoa Real (Bahia) conta com cerca de 140.000 toneladas de urânio a serem produzidos a partir de 33 ocorrências na região, com a existência de uma lavra conhecida como anomalia 13, onde se prevê a produção de 400 toneladas ao ano de urânio com planejamento futuro de aumento para 800 toneladas ao ano. As reservas presentes nessa região podem suprir 10 reatores semelhantes ao de Angra II, que possui capacidade de produzir 1350 megawatts, por toda a vida útil do projeto.

O beneficiamento do urânio é feito em Caldas (Minas Gerais) e Lagoa Real (Bahia), onde se produz o concentrado de urânio (U3O8), também chamado de yellowcake. O urânio concentrado é então transportado até Rezende (Rio de Janeiro), onde ocorre a produção do combustível para o complexo nuclear de Angra dos Reis (Rio de Janeiro) através dos processos de conversão do yellowcake em hexafluoreto de urânio (UF6), enriquecimento do urânio, reconversão do hexafluoreto de urânio em pó de dióxido de urânio (UO2) e por fim a transformação do mesmo em pastilhas.

Entretanto, o enriquecimento de urânio não ocorre no Brasil, mas no Canadá. O hexafluoreto de urânio é transportado de navio do porto de Salvador em contêineres até o país citado e volta já enriquecido pelo processo de ultracentrifugação, embora um contrato de implantação tenha sido assinado em 2000, tendo em vista a implantação a médio-prazo desta tecnologia no Brasil.

Parece até um empresa que fazia um propaganda (falsa) de auto-suficiência uns tempos atrás...

Energia Nuclear: aspectos econômicos, tecnológicos e ambientais

Poucos países dominam os processos de produção de energia nuclear, o que torna o urânio uma fonte de energia não acessível a todos os extratos sócio-econômicos. O manejo deste elemento é composto por complexos processos de enriquecimento e geração de energia elétrica nas usinas, implicando a dependência tecnológica da grande maioria dos países em relação aos países mais desenvolvidos nesta área, como o Canadá, Alemanha e Estados Unidos.

No caso brasileiro, ainda há dependência externa no processo de enriquecimento do urânio, realizado no Canadá. Porém, há a perspectiva de que nos próximos anos esta tecnologia seja totalmente dominada e executada em território nacional. Em 2002 foi assinado um acordo de desenvolvimento no Brasil da tecnologia de ultracentrifugação, a mais eficiente no enriquecimento do urânio beneficiado.

Atualmente, com os efeitos do aquecimento global, há necessidade de se encontrar fontes alternativas de energia que não emitam gases com alta capacidade de absorção de energia proveniente do sol, como o metano, o dióxido de carbono, os óxidos de nitrogênio e de enxofre. Dessa forma, a energia nuclear e a procura pelo urânio podem se tornar uma alternativa bastante interessante a ser considerada no suprimento de energia elétrica para as atividades antropogênicas devido à sua característica de não emissão direta desses gases.

No Brasil, é esperado o aumento dos investimentos na produção de urânio e energia nuclear como alternativa à previsão de déficit energético ainda no início da próxima década. A conclusão da usina nuclear Angra II e o presente início da construção de Angra III mostram a tendência do governo nacional em adotar uma estratégia energética com menor dependência de matrizes suscetíveis ao clima, como o são as hidrelétricas.

Entretanto, a alta tecnologia necessária para o enriquecimento do urânio, que é parte de grande importância no processo, o alto custo de operação das usinas nucleares e a periculosidade que envolve o tratamento dos dejetos radioativos desse elemento acabam por encarecer muito o valor do material e, por conseqüência, a energia proporcionada pelo mesmo (cerca de R$45/MWh). Grande parte da resistência à adoção desta matriz energética está no fato não ser renovável e produzir lixo sem possibilidade de reutilização, opondo a tendência mundial de adotar a sustentabilidade como política desenvolvimentista.

O urânio possui alta concentração de energia e consegue ser muito mais eficiente na produção de energia elétrica ou térmica do que outros recursos como a água, o carvão e as células foto-voltáicas. Uma baixa quantidade de urânio é capaz de suprir enormes demandas energéticas. Angra I, por exemplo, conseguiria suprir um milhão de pessoas; e Angra II, dois milhões.

Créditos de Carbono e o Brasil

Já ouviram falar nisso? Se não, estão por fora da mais nova revolução da distribuição de renda no planeta. Antes foi o petróleo, agora a água e no futuro será o ar o nosso bem mais caro!

Após a Conferência de Kyoto, foram estabelecidos metas para redução das emissões dos países responsáveis por 80% das emissões de CO2 e metano na atmosfera de 5,2% entre 2008 e 2012.

Ocorre que foram criados os créditos de carbono! Como eles funcionam? O país que polui muito compra cotas de poluição de países menos poluidores, investindo em projetos postos em prática nestes países subdesenvolvidos. 1 tonelada de carbono está cotada hoje em US$15,00 ou US$18,00. Considerando que há um ano custavam US$5,00; estima-se que o valor deve subir para US$30,00 ou US$40,00 no período de implantação da meta imposta pela Conferência de Kyoto.

O Brasil está em posição privilegiada neste contexto. Sendo um país que utiliza amplamente seus recursos hídricos, acaba por ter um índice de emissões inferior ao dos países desenvolvidos, podendo vender estas "cotas" de poluição.

Porém o futuro não parece ser tão promissor para o Brasil quanto parece. O baixo investimento no setor hidroelétrico e a iminente saturação de sua demanda de energia o colocou em uma situação complicada economica e estrategicamente. A meta de crescimento de 5% ao ano anunciada por Lula para os próximos 4 anos implica uma demanda energética para a qual não há oferta suficiente para suportar.

O plano do governo é instalar termelétricas, as quais são altamente poluentes e possuem baixo nível de produtividade. Dessa forma, a nossa vantagem no mercado de créditos de carbono fica seriamente ameaçada.

Em minha opinião uma decisão tomada por falta de planejamento. Em engenharia, considera-se um projeto de curto-prazo quando visa um período de até 10 anos; e a implantação de uma usina hidrelétrica leva pelo menos 8 anos, o que é muito tempo comparando-se a uma termelétrica que leva apenas 2 ou 3 anos, porém nada que não pudesse ter sido previsto no planejamento público.

Desastres ambientais e política governamental

Uma vez fui a uma palestra na Escola Politécnica sobre o desastre que matou 7 pessoas na linha 4 do metrô de São Paulo e me motivei a escrever sobre desastres relacionados com o meio-ambiente. Nas próximas linhas citarei, explanarei e opinarei sobre singularidades ocorridas no metrô, barragens, vazamento da Union Carbide e outros.

Impactos ambientais causados por desastres podem ou não ser causados pelo Homem. Há uma polêmica acerca deste tema: muitos, principalmente aqueles que estão do lado de fora, consideram a área da engenharia uma ciência exata; porém nós engenheiros sabemos que não é bem assim. Ser engenheiro não é simplesmente estudar cálculo, mas ter também bom senso e contar com a pura sorte e boa vontade do destino. Às vezes evitar um desastre ecológico está além de nossa capacidade e apontar culpados sem ter conhecimento dos fatos é totalmente reprovável, como muitos o fizeram após a perda de 7 vidas na linha 4 do metrô paulistano. Como dizia um professor da Fatec que dava aula ao meu tio Luís: "Engenharia é composta de 50% de cálculo, 30% de bom senso e 20% de sorte".

A engenharia civil é importante na minimização e preempção destes eventos. Em geral, os projetistas prevêem falhas e deixam uma tolerância para que essas falhas não contribuam para eventualidades que possam causar o comprometimento de uma obra. No caso do metrô, tudo indica que não houve negligência devido ao fato de que as falhas e o posterior colapso se desenrolaram em um breve espaço de tempo, inibindo assim qualquer reação por parte dos responsáveis pela obra.

De certa forma, a natureza e a nossa incapacidade de entendê-la é a razão de muitos desastres ambientais, como é o caso da barragem abaixo. Em detalhe se identifica o vertedor retangular da barragem (local por onde se escoa a água armazenada em excesso). Durante a fase de projeto é comum haver assessoria de climatologistas para identificar por exemplo o regime de chuvas no local da execução da obra, dessa forma, a barragem é projetada para suportar forças correspondentes a situações extremas e cabíveis àquela região em questão. Desastres como esse são causados por excesso de chuvas e por essa razão podem ser atribuídos ao fenômeno do super-aquecimento global. O aumento da temperatura terrestre intensifica o ciclo da água, ocasionando chuvas mais torrenciais e mais constantes. Neste caso em especial o regime de chuvas foi tão intenso que a água se sobrepôs ao vertedor e inundou a jusante da construção. Em outras situações, esta singularidade provocou a morte de milhares de pessoas que viviam na jusante do local.


Não dá para falar de desastre ambiental sem comentar o maior da história: Em 23 de dezembro de 1984, a cidade de Bhopal na Índia sofreu um vazamento de gás tóxico de uma fábrica de fertilizantes pertencente à antiga Union Carbide. Em 3 dias mais de 8.000 pessoas estavam mortas e até hoje mais de 150.000 sobreviventes sofrem com os efeitos do vazamento, incluindo as gerações seguintes aos que entraram em contato com as 40 toneladas de gases liberados naquela noite. Esse é um grande exemplo como a negligência dos responsáveis pela planta atuou catastroficamente para esse fim. A empresa foi à falência com o passar dos anos e as milhares de indenizações pagas às famílias e hoje pertence à maior indústria química mundial, a DOW Company, onde minha gloriosa prima (hehehe, sinal do apreço que tenho por ela) e politécnica também trabalha.

Quando a natureza não é responsável pelo desastre, alguém tem que assumir a culpa. É claro que um colapso pode ter causas técnicas, mas na minha opinião as causas são muito mais profundas. A política governamental de contrato a preços fixos e redução de custos acaba por esfacelar o sistema de fiscalização sobre as obras públicas. Hoje, as grandes empreiteiras ficam responsáveis por tudo, tornam-se extremamente influentes e se torna difícil para um fiscal paralizar uma obra, considerando que empresas como Queiroz Galvão e Odebrecht possuem toda forma de suporte possível ao lado deles. Se o preço é baixo, para onde vai a qualidade? É uma pergunta que o governo deveria responder à parcela da sociedade que tem se declarado insatisfeita com os resultados da engenharia brasileira.

Por fim e não menos importante, o verdadeiro paradigma na análise de desastres é descobrir as razões que levaram à singularidade com o objetivo de melhorar os algoritmos de resolução e entendimento nos projetos e execução de obras. Muitas vezes um desastre ocorre porque nunca se deu atenção para um detalhe que causaria o colapso e apartir desse evento este detalhe passou a ser mensurado e a receber mais atenção de modo a evitar futuros problemas. Engenharia não é ciência exata e está em constante evolução!

Matriz Energética no Brasil e no Mundo

No mundo a matriz energética é composta de petróleo (35,7%), carvão (23,3%), gás natural (20,3%), combustíveis renováveis (11,2%), nuclear (6,7%) e água (2,3%). No entanto o panorama no Brasil apresenta uma parcela maior para a utilização de seus recursos hídricos, embora sua principal fonte ainda seja o petróleo e seus derivados (40%).

A dependência desta fonte energética é explicada pelo rodoviarismo implantado como meio de escoamento dos produtos aqui produzidos em direção ao resto do país e aos portos rumo às exportações. A falta de investimentos por parte do governo federal na infra-estrutura citada acaba por atrapalhar diretamente o crescimento do PIB brasileiro, que foi divulgado esta semana (2,9% em 2006). O agrobusiness precisa de formas eficientes de transporte de seus produtos e, infelizmente, grande parte dessa produção se perde no meio do caminho. Está mais do que provado que o agorbusiness é um negócio que a curto-médio prazo atrairia muito capital para o Brasil sem a necessaidade de grandes investimentos como na indústria, é uma atividade que ainda pode crescer muito. As estradas estão abandonadas, os portos sempre necessitam de trabalhos de dragagem (US$7,00/m³ de terra retirada do leito do porto) e o transporte fluvial é quase inexistente. O governo atua como subsidiador do Diesel mas não basta para se manter essa estrutura.

A boa notícia é que a Petrobrás anunciou em 2006 a auto-suficiência na produção de petróleo no Brasil. O petróleo é um amontoado de vários tamanhos diferentes de cadeias carbônicas. Os derivados de petróleo amplamente utilizados no Brasil como fonte energética são cadeias pequenas e necessitam do processo de crackeamento, que quebra cadeias maiores (pixe e ceras) transformando-as em cadeias menores (gasolina). O petróleo brasileiro é "pesado", ou seja, tem em sua composição na maioria cadeias longas; dessa forma, nosso petróleo não serve para nós e deve sofrer crackeamento nas refinarias antes de ser usado.

A má notícia é que não somos auto-suficientes no refino desse petróleo, o que implica exportação do nosso petróleo "pesado" para posterior importação da matéria já refinada (petróleo "leve") pronta para ser usada. Soma-se a isso a inconveniência ambiental do uso do petróleo que gera muita poluição através do CO2, CO, C e SO2, os quais são responsáveis pela intensificação do aquecimento global e do fenômeno das chuvas ácidas.

O grande desafio é se desvencilhar do uso do petróleo através de decisões estratégicas e ambientais para solucionar tanto o problema da crise energética brasileira quanto o do aquecimento global. Para isso há as fontes alternativas de energia, as quais serão enumeradas e explicadas a seguir.

Hidroelétricas: a mídia a defende como sendo uma energia limpa mas não é verdade. O impacto ambiental é enorme pela grande área inundada e afogamento de grandes florestas, o que libera gás metano na atmosfera (poluente). Vou mais além!!! O processo de inundação causa a eutrofização, que consiste em uma superproliferação de algas e bactérias que se alimentam da matéria orgânica morta com o processo. Olhando também pelo lado econômico, essa fonte sofre por demandar um grande montante de investimentos para sua implantação, principalmente no Brasil onde os juros altos acabam por exponenciar os custos de projetos de longa duração.

Termoelétricas: uma grande vilã do meio-ambiente por usar o carvão mineral e ter baixa produtividade, causa poluição excessiva. A sua vantagem é o baixo custo de implantação mas perde no custo de operação e manutenção já que necessita grandes investimentos para sua constante modernização. A abundância e conseqüente barateamento de seu combustível incentiva sua proliferação mundo afora.

Usinas Nucleares: sempre foi mal recebida pela mídia e população, ao meu ver, sem apresentarem uma razão para tamanha preocupação. Tendo boa produtividade MWh, torna-se uma boa alternativa para locais onde as fontes hídricas já estão esgotadas, como Japão e Europa. O problema é o preço: são necessários altos investimentos em pesquisa, combustível, modernização e manutenção tornando-a acessível apenas em países ricos. Aos que a acham muito perigosa: Quantos acidentes aconteceram envolvendo usinas termo-nucleares até hoje? E com Hidroelétricas? A analogia serve para acidentes de carros e de aviões. Embora um avião sempre saia no jornal quando cai, os acidentes nas rodovias ainda matam muito mais. Sobre o lixo produzido, as nucleares são um problema pelo lixo radioativo jogado no fundo dos oceanos. Há também uma forma de impacto ambiental pelo aquecimento da água do rio usada para resfriamento de seu núcleo. A água é devolvida aos rios com temperaturas muito altas e mata os peixes no local, o que pode até ocasionar eutrofização!

Álcool: a especialidade rural do estado de São Paulo é a cana-de-açúcar, matéria-prima para produção do álcool. Pode ser considerada uma fonte renovável e nesse quesito ganha fácil da gasolina mas é um grande impactador ambiental. A queima do solo após a colheita da cana é fonte de poluentes amplificadores do efeito estufa.

Energia Solar: existem duas maneiras de se aproveitar a energia solar e muita gente se confunde com isso. Pode-se instalar aquelas células captadoras de luz solar que esquentam a água das residências (alternativa mais barata que deve se intensificar num futuro próximo). Também o modelo das células fotovoltáicas, as quais tranformam a luz solar em energia elétrica de fato, diferentemente do modo anterior, que transforma a energia solar em energia térmica. A combinação desses 2 elementos parece ser uma solução interessantíssima para o uso doméstico num futuro (talvez) próximo se não fosse por um detalhe: as fotovoltáicas têm vida útil de 2 anos e depois viram lixo tóxico.

Células de combustível: é a maior esperança para resolver o problema das emissões de poluentes. Uma célula de combustível proporciona produção de energia apartir de uma reação entre oxigênio e hidrogenio, produzindo água pura. O único risco é o de explosão por ser uma reação que libera muita energia. Este modelo está em testes e hoje já se vê ônibus circulando na Alemanha com essa configuração. Uma energia limpa e sustentável!

Honda e o meio-ambiente

O novo carro da Honda para a temporada 2007 me chamou a atenção pela sua audaciosidade em utilizar um tema que está na moda para impulsionar seu objetivo de aumentar as vendas de automóveis no mundo todo (afinal, ela está alí pra isso!).


A conta é simples: uma marca como a Honda tem um patrimonio de cerca de 80 bilhões de dólares. Um aumento de apenas 2% em sua receita já compensaria o investimento de cerca de 200 milhões de dólares anuais exigidos pela F1, já que teria um retorno de mais de 1 bilhão na pior das hipóteses.

Eu achava que no Japão só havia bons engenheiros, mas descobri que também existem bons publicitários na terra do sol nascente. Ótima idéia! Afinal, um assunto que está nas headlines "dia sim dia não" merece atenção à sua altura nos meios de comunicação.


A idéia deles é encher o carro com os nossos nomes. Entrando no site http://www.myearthdream.com/ você pode fazer uma doação entre 2 e 10.000 libras esterlinas e ter o direito de ter seu nome estampado no bólido no dia 12 de março de 2007 (abertura da temporada). Mas não basta ter dinheiro, você deve fazer uma promessa de ajudar o meio-ambiente de alguma forma, seja plantando árvores ou fechando a torneira quando for escovar os dentes.

Na minha opinião isso não passa de puro marketing que nada tem a ver com ajudar a solucionar o problema. Não passa de uma cínica preocupação com o assunto, apesar de que os carros dessa marca são os que menos agridem o meio-ambiente no mundo todo (o Honda Fit faz 20km/L na cidade) e são pioneiros na pesquisa de fontes alternativas para carros de rua.

A grande diferença entre um país que respeita o meio-ambiente e um país que não, não está na educação das pessoas, em ensinar a fechar a torneira quando for escovar os dentes, isso é balela, é tapar o sol com a peneira! O caminho é criar formas de reaproveitamento de dejectos realmente eficientes. A Alemanha por exemplo consegue reaproveitar 70% de toda a água que entra nos dutos de saneamento. Se eles querem de fato fazer a diferença, vão ter que fazer muito mais que incentivar o uso de transporte público, ou fechar a torneira quando não a usamos.

Escopo da Engenharia Ambiental - Apresentação

Este blog terá como objetivo mostrar ao público um pouco mais sobre os problemas ambientais, assuntos relacionados e as impressões de uma pessoa diretamente envolvida neste tema. Os assuntos relacionados se referem principalmente à geopolítica e ao contexto econômico mundial, os quais foram determinantes para que a humanidade tenha tomado um rumo causador de impactos ambientais. Enjoy it!

"Até os anos 70, um projeto de engenharia poderia ser executado a partir de 2 parcelas: tecnologia e lucro." - Mônica Porto, docente do departamento de engenharia hidráulica da Escola Politécnica.

Não adianta querer construir uma nave intergaláctica se não possuímos tecnologia suficiente ao passo que também não se deve construir um empreendimento o qual não possa gerar riquezas, lucro para quem o executou. Percebam que estes dois elementos têm capacidade de veto sobre um projeto.

"Os professores desta universidade foram formados sem nunca terem ouvido falar na palavra meio-ambiente" - Patrícia Matai, docente do departamento de engenharia química da Escola Politécnica.

A preocupação sobre o tema se originou nos 70 e deu seu primeiro passo após a Conferência de Estocolmo (1972). Um novo parâmetro surgia naquele momento: o impacto ambiental. Com a criação da legislação ambiental no Brasil, este passou a ter o mesmo poder de veto da tecnologia e do lucro. Nos dias de hoje, tecnolgia, lucro e impacto ambiental são as diretrizes a serem seguidas num projeto de engenharia, cada um com o mesmo poder de veto sobre a execução do mesmo.

De lá pra cá algumas medidas (ex.: Protocolo de Kyoto), algumas conferências (ex.: Rio 92), algumas metas (ex.: Agenda 21) foram feitas para tentar frear um problema real e que parece ser nosso futuro inevitável. Devemos tratar esta mudança como uma oportunidade de se ganhar dinheiro.

No passado, uma empresa jogava seus dejectos diretamente na atmosfera sem qualquer tipo de tratamento. Ultimamente muito foi e será feito para mudar este panorama com o reaproveitamento desses elementos descartados colocando-os novamente na linha de produção das indústrias, o que certamente aumenta os ganhos da empresa.

Vale lembrar que não existe impacto ambiental nulo, ele pode ser positivo ou negativo, qualquer mudança altera a homeostase terrestre. Em outras palavras, o engenheiro ambiental tem como função dar suporte ao desenvolvimento de novas tecnologias para que a tal da sustentabilidade seja alcançada. Esta é uma grande diferença entre o engenheiro ambiental e o ambientalista. Eu vejo o ambientalista como um ser passional e ecologista, só tem como objetivo frear o desenvolvimento em favor da natureza. Sejamos realistas, isso não combina com o nosso sistema de produção atual! Como gerar riqueza sem usar matérias-primas? Sem agredir a natureza? Se parassem de extrair petróleo neste momento, tenho certeza de que até mesmo aqueles ativistas do green peace implorariam para que voltassem a explorá-lo.